Hoje foi o estalo.
Sai do "stand-by" de outrora para entrar em um ritmo que já conheço faz tempo. Já tenho intimidade. Sou afluente.
Usei adtivos para encarar a noite e suas surpresas esperadas.
A luz pública noturna me causa certo fascínio. Os postes... os faróis...
Driblei os obstáculos já previstos. Calculei a noite como se estivesse aplicando grandes quantias na 'Bolsa de Valores'.
Só para enfatizar o drama. Sou assim desde pequenino. Não me reprima. O drama faz parte de mim. É intríseco.
Tumulto. Frisson, circunstâncias desconcertantes. "Atos desconcertantes". Mas ainda assim, a noite era minha.
Na verdade, saí com o intuito de analizar o que estava a minha volta. Meio esquecido. Meio invisível. Meio termo.
Pois bem. O fiz.
Pessoas; carros carregando pessoas; roupas vestindo pessoas; serviços executados por pessoas... Foi uma terapeutica providencial.
Os que estavam em volta da minha matéria também sofreram analises perturbadoras.
Não pude deixar a nostalgia de lado.
Foi-se o tempo em que esse era o prazer secreto de dois seres que pensavam exatamente na mesma velocidade. Exatamente na mesma direção. E-xa-ta-men-te. O que é bem distinto da praticidade da coisa. De fato!
Mas retomei este prazer quase que proibido.
Me entreguei ao questionamento da coisa em si.
Algumas pessoas ignoram ou até abominam este, digamos assim, fetiche.
Pasme!
Pude brincar comigo mesmo. Retomar um pouco a minha juventude perdida.
Juro com pureza d'alma que, apesar dos questionamentos internos sobre o que é certo e maduro, ou não, me diverti e me entreguei à aquela fantasia.
Vamos por parte.
Ainda posso ser eu mesmo sem me achar ridículo?
Estou de volta ao meu abrigo artístico e me analiso.
Sou parte deste ser andrógino que se esforça para não deixar o presente, que neste instante se torna passado... se apagar.
Sinto falta de muitas coisas que não posso mais possuir.
Mas fico feliz por saber que elas existem.
Apenas.
C.
Domingo
Sábado
VOU TENTAR SEMPRE
"Ainda que o tempo, o maior e mais implacável dos carrascos, intente sobre o meu corpo físico, ele nunca terá poder sobre meu pensar, meu saber e minha vontade, pois estes são eternos. Por isto e tão somente por isto que vou tentar sempre, porque nunca é tarde para começar"
A.R.L.G.
C.
A.R.L.G.
C.
Quarta-feira
Boom... boom... boom...
As transformações estão acontecendo.
Antes tarde do que nunca.
Explosão de felicidade.
Antes tarde do que nunca.
Explosão de felicidade.
Terça-feira

Acordei com um barulho estranho.
Durante a madrugada, fazendo dueto com o som da chuva (lê-se, toró), algo se mexia dentro de casa. Fiquei apavorado.
Havia desligado a geladeira, pois esta estava impenetrável. Ainda não entrei na era das "frost-frees" da vida.
Me senti patético ao mesmo tempo que aliviado.
Definitivamente interrompi minha noite de sono ao passar um café bem forte e acender um cigarro. Eram: 03:44 da madrugada.
Caminhei pela casa e assisti a chuva.
Não pude evitar as cólicas:
"Preciso parar de fumar, mas minhas inúmeras tentativas, com adesivos de nicotina e afins, não são vitoriosas"...
"Meu Deus, quanta chuva"...
"Será que tenho algo haver com ela"...
"A vizinha está acordada. Será que ela também vai lavar a geladeira?"
"Olha, um fusca!"
Nos ultimos dias comentei com um amigo sobre o calor que fazia nesta cidade e o desconforto gerado pelas gotas de suor escorrendo na fronte. Ele, de pronto, me sugeriu a dança da chuva.
Mas que diabos, não sei nem um único passo. Baaah!
Supresa, sonhei com esta dança, com direito a pláteia e aplausos.
Sonho ou não, funcionou e agora o mundo chora como uma criança morta de fome.
As águas de março, fechando verão, é a prom... estamos em abril...
Eu daria tudo para ter pelo menos um "clima" organizado nesta cidade.
Alguém sabe como se faz a dança para parar de chover?
C.
Quarta-feira
Mudança de hábito

Sempre fui vítima de um descontrole muito particular. Desconstruí o meu mundo diversas vezes e diversas vezes, sofri com isso.
Usei máscaras, disfarces e até mesmo venda nos olhos. Levei à sério o trecho de uma música cantada por Gal... "brinque de ser cego e leve à sério a brincadeira".
É... Acho que não vou mais fazer questão do entendimento alheio, de fato. Descomplicarei minhas relações.
Irei desconstruir mais uma vez a minha maneira de existir, sem muitas cerimônias. Me preocupar apenas com a plasticidade das coisas. Pra quê tentar entrar no outro e tocar no intríseco?
Esforço desnecessário.
Por demais desnecessário.
C.
Domingo
Clarice Lispector
Se tudo existe é porque sou. Mas por que esse mal estar? É porque não estou vivendo do único modo que existe para cada um de se viver e nem sei qual é. Desconfortável. Não me sinto bem. Não sei o que é que há. Mas alguma coisa está errada e dá mal estar. No entanto estou sendo franca e meu jogo é limpo. Abro o jogo. Só não conto os fatos de minha vida: sou secreta por natureza. O que há então? Só sei que não quero a impostura. Recuso-me. Eu me aprofundei mas não acredito em mim porque meu pensamento é inventado.
C.
C.
Sexta-feira
Ostracismo
Perdi a capacidade de me questionar.
No espelho, que em algum tempo, foi o meu confessionário diário, enxergo a face avermelhada, encharcada por lágrimas que não são notadas. por ninguém. Nunca.
Construo a cada minuto uma barreira feita com nada.
O que seria o nada?
As vezes sinto-me protegido, as vezes não.
Quando a consciência se ativa e percebo que ainda corro perigo. Mas como me proteger de algo intríseco?
Preciso escapar de mim mesmo. Me esconder do meu próprio eu.
Queria me esconder no fundo do mar.
O mar...
Estou triste e confuso.
Uso uma das minhas mil máscaras para esconder meus sentimentos de minha consciência.
Mil máscaras.
ao som de Alanis Morissette - You Learn
No espelho, que em algum tempo, foi o meu confessionário diário, enxergo a face avermelhada, encharcada por lágrimas que não são notadas. por ninguém. Nunca.
Construo a cada minuto uma barreira feita com nada.
O que seria o nada?
As vezes sinto-me protegido, as vezes não.
Quando a consciência se ativa e percebo que ainda corro perigo. Mas como me proteger de algo intríseco?
Preciso escapar de mim mesmo. Me esconder do meu próprio eu.
Queria me esconder no fundo do mar.
O mar...
Estou triste e confuso.
Uso uma das minhas mil máscaras para esconder meus sentimentos de minha consciência.
Mil máscaras.
ao som de Alanis Morissette - You Learn
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